domingo, outubro 26, 2014

Eu disse que os dias passaram tal qual inferno astral. Apressados, cheio de detalhes que eu não percebi, cheio de coisas que abandonei, cheio de sorrisos que eu não dei, olhares que eu não troquei, gentilezas que não fiz; mas cheio, cheio das lágrimas que eu chorei, em todas as praças da cidade, todos os cantos, todos os bancos, enquanto eu divagava ao sol do meio dia; meio dia esse, que cheirava a azeite velho no tacho da baiana. 

terça-feira, outubro 14, 2014

Salvador, Bahia




Saí de casa cedo. As circunstâncias me foram cruéis, então, 8:20h eu já estava na Barra. Sentei-me na padaria, e tomei mais um café. Esperei o shopping abrir, entrei, rodei, comi torta. Desci para o Farol. A praia estava especialmente linda. Segunda-feira de sol intenso, e mar vazio. Momentos como esses, nos dão certezas: ser feliz não é tão difícil. Mas, enfim. Escolhi uma cadeira, sentei. Tomei sol, contemplei o mar, li algumas páginas de um livro. Deixei a tarde chegar, me encaminhei para o Centro da cidade, lugar que eu amo. Fui tomar o sorvete de brownie da Cubana. Realmente, ser feliz não pode ser tão difícil, quando a gente tem sorvete de tapioca tão pertinho. Mas hoje eu senti solidão, e eu não sei porque ela tem se chegado assim, tão sempre, se esfregando em meu peito, impregnando minhas narinas de seus odores, pra me sufocar. 

sexta-feira, julho 25, 2014

Convicção



É muito cedo para imaginar se estou satisfeito com o que construí de mim mesmo e tarde demais para ter aquela sensação de plena certeza.


A sorte da convicção vem do imperfeito e cabe um mar de amor no céu da boca. 

segunda-feira, julho 21, 2014

terça-feira, junho 24, 2014

Receita



Captando sua sensibilidade em toques
Deixando digitais no seu corpo
Encostando a língua no lóbulo da sua orelha
Entregando meus beijos

Friccionando minha anatomia à sua, nos encaixando...

domingo, junho 22, 2014

I'll be hunting high and low


Fui correndo a Salvador. Cover de The Smiths num bar da cidade pra comemorar o aniversário de um amigo. Éramos 3. Três mosqueteiros, a cruzar a noite, insólita, bebendo aqui e ali, caçando diversão. A chuva deu uma trégua na noite, e a capital, mesmo invernal, não faz frio. Noite perfeita pra perder o sono, pra perder o senso, deslizar pela noite sem lua, calçar aquele salto - que dá vontade de tirar, e dançar de olho fechado ouvindo A-Ha...

quinta-feira, maio 29, 2014

Maio despedaçado


Café fumegando na xícara vermelha da minha mãe. Hoje decidi não tomar o ansiolítico, acompanhante das últimas noites. Ele me deixa dopada e esquecida, e é fato, gosto de registrar os acontecimentos. Precisava lembrar. Maio passou. Meio como os outros meses. Meio duro, meio frio, meio aço cortante. Tomei tarja preta pela primeira vez, e dormi 11h ininterruptas. Liguei para um rapaz, chamei-o pra sair, ele disse não. Vale dizer, que ele já havia manifestado verbalmente, o desejo de ficar comigo, e já tínhamos nos beijado dias antes. Reiterei o pedido, e a resposta obtida foi a mesma. Fui na formatura do meu melhor amigo, encontrei aquele que foi o meu melhor namorado: nos beijamos. Meio sonho, meio fantasia, meio aquele amor que nunca acaba, que fica arrumando jeitos para se perpetuar, e o destino, e o universo conspirando pra a gente não deixar de se amar.



(A imagem eu retirei daqui: http://juhmis.wordpress.com/ )